sábado, 10 de novembro de 2012

Medo


Hoje duvidei de mim mesma. Receei errar. Tive medo que o amanhã me atirasse ao chão. Que ninguém pudesse encontrar-me. Hoje senti as mãos tremerem quando imaginei o futuro. Tive de recuar alguns passos. Apenas dois ou três, mas os suficientes para voltar a sentir-me segura.
Lembras-te de quando nos encontrámos? Tu estavas também hirto, como se algo ou alguém superior tivesse agarrado os teus movimentos. Como se a tua vida não fosse mais que um filme comandado à distância. Então, cheguei perto de ti e toquei o teu ombro. Tu não te mexeste, mas por dentro voltaste a sentir a vida.
Lembro-me dessa tarde agora. Como se as imagens se repetissem à minha frente. Sei que tudo o que preciso é abrir os olhos e enfrentar a estrada. Mas por enquanto o medo mantém-me quieta, até que, onde quer que estejas, me toques o ombro e caminhes a meu lado.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Incertezas


 
Era bom se pudéssemos saber o que seremos no futuro. O que mudou. Quem conhecemos. Aquilo em que nos tornámos. Se soubesse que, daqui a alguns anos, te teria encontrado, que casaríamos até, alguma desta tristeza atual abalaria, decerto.
Se pudesse ver-me naquele lugar de sonho, com o trabalho que imagino perfeito, juro que esta insatisfação passaria. Punha de lado o medo e começava amanhã mesmo a viver como se tudo isso tivesse já acontecido. Se soubesse que a vida me faria sorrir, deixava que os meus lábios desenhassem essa alegria agora mesmo.
Era bom se pudéssemos ver o que seremos. Mas não pudemos. Nada me diz que te encontrarei. Que iremos partilhar aquela casa naquele lugar. Nada me anuncia que terei aquele sorriso. Mas, eu sei, não é por isso que não posso sorrir agora. Entre todas estas dúvidas, essa é talvez a minha única certeza. Se não conseguir ser feliz por mim mesma, nem a tua presença tornará isso possível.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Saudade

 
Primeiro sentes que serás forte. Respiras profundamente. Abres os olhos. Sorris. Vai mudar tudo, mas tu serás forte. A mudança só levará aquilo que possas suportar.
Então, fechas os olhos. Sabes que quando os abrires a sua ausência fará desse pequeno espaço a teu lado uma cidade deserta. Sabes que irá doer, mas não desistirás. Preparaste-te para este momento. Prepararam-se juntos.
Depois, pousas a mão sobre o muro. No exato lugar onde costumava estar a dela. No sítio onde os teus dedos se entrelaçavam nos seus. E é nesse instante, dois segundos apenas, que percebes como a vida te foi roubada. A mudança passou por ti. Por ela.
Pensas em abrir os olhos. Tal como prometeras fazer. Esforças-te por descolar as palpebras. Mas não és capaz. Por enquanto não ousas dar cor à sensação da tua mão vazia.
Sentes que não serás forte. Não hoje. Nem talvez amanhã. Se quisesses conseguirias. Podias enfrentar a realidade agora mesmo. Mas não é só de força que precisas para ser forte. Bastava algo mais simples. Só precisavas de sentir que, algures onde ela está, também a sua mão busca encontrar a tua.