sexta-feira, 26 de agosto de 2011

"Às vezes eu não sonho com medo de acordar"


Quantas vezes na tua vida pensaste que não serias capaz? Quantas vezes inibiste um sorriso com medo das lágrimas que viriam a seguir?
Deixa-me contar-te um segredo. Também eu já perdi as forças por alguns instantes. Sim, não foste o único a duvidar. Todos o fizeram. Mas enquanto para alguns esse foi o momento da mudança, tu subsistes envolto num casulo de desespero. Estás fraco de mais para desejares libertar-te.
Quantas vezes já deixaste de sonhar com medo de que a realidade te despertasse? Permaneces acordado todas as noites, sem tirar os olhos das estrelas. Fixas o seu brilho como quem espia uma criança para ela não se perder. Não te permites descansar as pálpebras por um mero minuto.
Não preferias usar a luz nocturna para soltar os pensamentos e seres livre? Olha as tuas mãos. Vê como são perfeitas, apesar de todas as linhas que as trespassam e das feridas que acumulam pelo trabalho. Porquê desperdiçá-las aconchegado nesse recanto triste, onde mais não fazem que sentir o frio da tua pele?
As minhas mãos também tremem. Podíamos juntá-las e partilhar o calor que o seu toque produzisse. Não queres? Se te confessar os meus medos, contas-me os teus fracassos?
Se te afastar os pesadelos, prometes adormecer sobre o meu ombro magro?
Não garanto ser capaz de te acompanhar no percurso que te espera, mas posso preparar a mochila a teu lado. E, um dia, quando voltares irei esperar-te ao caminho, para a carregar até ao fim.

1 comentário:

Mário disse...

e é tudo tão verdade ;_;