domingo, 4 de março de 2012

Make it count



O tempo passa por mim. Passa como se não me visse ou conhecesse sequer. Fecho os olhos à noite e de manhã, quando acordo, a realidade mudou. Os meus sonhos, aqueles que conhecia de cor, desfizeram-se. E eu, que sempre soube quem era, deixo de me pertencer.
Tudo porque o tempo veio sem avisar e levou consigo as sensações familiares. Do passado ficam ecos profundos que não sei desvendar. Sombras que fazem as minhas mãos tremer e sussurros que me arrepiam a pele.
E por ti, ele já passou? Já sentiste que o novo dia te ignorava? Que tudo à tua volta era novo, menos tu?
Hoje tudo parece estranhamente distante e perigoso. Até esta caneta que trago entre os dedos. Se lhe volto o olhar, juraria que ganharia corpo para me atacar. Como uma flecha.
Prometeste que o tempo passaria, eu sei. Mas não me avisaste que levaria tudo consigo. Não me disseste que me levaria para longe de mim…
Enquanto escrevo, o tempo continua a passar. Indiferente aos meus desejos. E quando finalmente dou por ele, é tarde. Já não posso apanhá-lo. Por isso, limito-me a aguardar pela chegada da manhã, em que o sono me desperte e os ponteiros do relógio cessem de correr.
Então, talvez consiga acertá-los ao meu ritmo. E possa voltar à hora exacta em que, para mim, o tempo deixou de passar.

1 comentário:

Mário disse...

certa vez numa carta ao Matheus escrevi, "quem disse que era fácil viver, devia ser louco e estava a pensar nos actos de inspirar e expirar"