domingo, 24 de julho de 2011

Silêncio


Hoje o silêncio penetrou-me a pele. Abriu caminho por entre os músculos e calou todos os gritos que ecoavam pelo meu corpo.
Em poucos segundos, tudo em mim se aquietou e tornou mudo. O silêncio que inventara nas folhas atrás, soltou-se do papel e procurou o meu coração. Silenciou os suspiros e apagou as luzes indiscretas. Tudo ficou calmo.
Então, mergulhada numa cortina de sossego que nunca antes me cobrira, ouvi coisas que tinham estado escondidas todo este tempo: um som constante proveniente do meu peito; um tic-tac quase irritante produzido pelo relógio; a aspiração de ar sempre que os meus pulmões pediam oxigénio.
Hoje, quando inspirei profundamente senti que o meu corpo relaxava. Nunca tinha sabido descrever o silêncio. Até hoje. Mas vou guardá-lo para mim. Não poderias compreendê-lo, mesmo que escrevesse páginas e páginas sobre ele. Para o compreenderes, tens de o sentir primeiro.
Podemos fazê-lo juntos. Queres?

2 comentários:

Samuel Pimenta disse...

É possível beber nas tuas palavras o néctar do silêncio que as produziu. Que saibas apreciar cada momento de silêncio que te invade.
Tudo de bom!

Mário disse...

Tu consegues atingir o estado que te falo, quando queres tu o atinges. Falas que escrevo com arte, mas não te ficas nada atrás.