sexta-feira, 4 de junho de 2010

Quanto tempo demora um segundo?


Quanto tempo demora um segundo? Sabes?
Quantos segundos guardam uma inspiração? Daquelas profundas. Podemos contar juntos? Chega perto de mim, então. Aproxima-te o suficiente para que, sem nos tocarmos, consigamos sentir o suspiro um do outro. Quando estiveres pronto, diz-me.
Agora? Então fecha os olhos, tal como eu farei. E, quando a próxima lufada de ar pairar sobre o teu rosto, sorve-a.
Abrimos os olhos. Então, contaste? Quanto tempo demora o ar a percorrer-nos o corpo? O corpo todo, todos os recantos que nem sabemos existirem. Respondes-me com números. Falas-me em dois, ou três segundos, não me recordo perfeitamente. Fico um tanto ou quanto desiludida, não posso negar-te. Afinal, de que forma posso perceber o que isso significa, sem que me expliques quanto dura essa medida de tempo que usas sem questionar?
Mostras-me o teu relógio. Aquele objecto que usas no pulso esquerdo e que, ao aproximar-se do meu ouvido, emite um tic-tac constante. Explicas-me que um segundo corresponde à distância que um dos ponteiros, aquele que parece quase invisível, percorre entre duas marcas nas margens. Fiquei ainda mais confusa, mas não to confessei. Decidi aceitar a forma como vês o tempo. Não que seja perfeita, mas é a tua.
Um dia pode ser que te fale dos meus segundos. Acho que não existe nenhum ponteiro que os marque, nem algarismos que os contem. No fundo, acho que não há forma de definir essa fórmula abstracta com a qual contabilizo o passar do tempo. Ele simplesmente passa. Nunca o vi, nem tenho esse desejo escondido. Mas tento senti-lo um pouco mais fundo nas alturas em que ele parece correr. É por isso que fecho os olhos. Uma tentativa falhada de o fazer passar mais devagar.
Talvez, um dia, fixe o teu relógio por um largo período de tempo, e consiga provar que, nos momentos em que ninguém mais está atento, os ponteiros passam algumas das marcas para chegarem mais depressa. E assim, mesmo que ninguém acredite em mim, terei a prova que há momentos em que o tempo corre.

1 comentário:

uma vida normal disse...

Tenho sempre a sensação de que quando o momento que se está a viver é bom, o tempo foge por entre as nossas mãos.
Quando queremos que ele passe rápido... Ele faz precisamente o contrário :P

Um malandro :D

Um texto sempre bem escrito e que adoro :)